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Brevíssima introdução ao conceito de História da Redenção

Brevíssima introdução ao conceito de História da Redenção
(Reverendo Adriano Carvalho)

Introdução

O objetivo deste artigo é descrever a origem e as características da abordagem ao Novo Testamento conhecida como “História da Redenção”. Esta abordagem assume como este artigo mostrará adiante, que a pregação da igreja primitiva (com mais veemência em Paulo) era controlada pela convicção  de que Deus cumpriu na história as  antigas promessas feitas através dos profetas de Israel. Para os apóstolos(e Paulo novamente aqui tem destaque) este cumprimento tem relação direta e inalienável com a vida e obra de Jesus Cristo: sua encarnação, morte, ressurreição e exaltação inauguram a etapa final da série de eventos históricos- redentivos da intervenção de Deus no mundo¹.
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Lutero e o valor das línguas bíblicas


A importância do estudo do hebraico e do grego sempre fora destacada pelas grandes mentes do cristianismo. De fato é difícil pensar em alguém que tenha feito curso sério de teologia onde não aprendesse o valor desses idiomas para a interpretação das Escrituras e o cumprimento eficaz do chamado que recebeu do Senhor. Todavia, sabemos que alguns estudantes de teologia, por incrível que pareça e muitos pastores, se distanciam do estudo das línguas bíblicas por não reconhecerem sua importância como uma ferramenta necessária na interpretação das Escrituras.
J. Gresham Machen em um artigo intitulado: The minister and his greek Testament¹, reconhece tal distanciamento e os seus possíveis motivos.
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Introdução conceitual à doutrina da Santificação: o que ela não é


A história tem revelado as mais variadas interpretações e equívocos cometidos contra essa doutrina bíblica. Como exemplos desses equívocos cita-se a devoção monacal e o ascetismo. Houve casos em que os crentes pensaram que o corte do convívio com o mundo era de fato uma atitude eficaz e mesmo necessária para a sua santificação. Faziam a castração dos laços de sociabilidade, pensando que esse era o meio através do qual o cumprimento do “tornai-vos santos” se efetuaria. Alguns, inclusive, tornaram-se pessoas mal-humoradas com a vida, como se essa atitude pudesse de alguma forma contribuir para fazê-los “santos”.
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TEMA: O servo sofredor


TEXTO: MARCOS 8.31-38

Segundo Papias (140 d.c), Marcos era o “intérprete de Pedro”.

Pano de fundo: Jesus¹ fala publicamente sobre seu sofrimento rejeição e sua morte v31, 32. Esse discurso de Jesus provocou um mal estar entre os que o ouviam. Então Pedro aturdido pelo que ouviu chama Jesus à parte e começa a reprová-lo. A reprovação de Pedro se justifica em parte pelo fato da tradição judaica ao longo dos anos cultivar uma concepção messiânica sem base bíblica. Em Isaías 53 é dito que o Messias seria um servo sofredor. Ali estava a descrição da humilhação e sofrimento que o Messias enfrentaria. Mas o messianismo inter-bíblico não via as coisas por essa ótica. As ideias judaicas a respeito do Messias é que ele seria um rei da estirpe de Davi e conduziria Israel em triunfos. Esse rei glorioso faria de Jerusalém o centro do mundo. E o mundo estaria sujeito a ela. Os inimigos de Israel seriam todos derrotados e o mais forte e poderoso exército do mundo seria aquele que estivessem sob o comando do Messias. Ninguém poderia resistir ao Messias e a Israel!

 O discurso de um Messias sofredor rejeitado e humilhado com certeza era aterrorizador para os discípulos(que eram judeus). Foi por essa razão que Pedro censurou o Mestre. O povo estava errado, Pedro estava equivocado! O Messias não veio estabelecer um reino visível! O reino que o Messias veio estabelecer foi construído em meio a muito sofrimento. E todos quando o senhor chamar para participar deste reino terão que enfrentar as mesmas coisas que o Nosso Senhor enfrentou. A bíblia não nos ilude, ela é clara em afirmar que a vida do cristão se constrói e se desenrola em meio às adversidades e os sofrimentos:

Nós somos co-participantes dos sofrimentos de Cristo (1Pedro 4.13). Em 2Co 11. 24-28 lemos as descrições dos sofrimentos do apóstolo Paulo como pregador do evangelho. A bíblia diz que quanto mais levamos a sério a vida cristã, mais perseguições sofreremos (2Tm3.12).Quanto mais sincero formos na nossa relação com Cristo, mais padeceremos. Há pelo menos duas razões para isso:

A vida cristã vivida na sua intensidade resulta naturalmente em rejeição ao mundano e ao carnal. É a guerra contra o pecado.

A luz não combina com as trevas. A condição natural do Cristão no mundo é uma condição de conflito. Ser crente é entrar compulsoriamente em uma realidade conflitante. É a guerra contra tudo que se alimenta do pecado.
     
Jesus nunca ofereceu aos seus seguidores vida fácil. Seguir a Cristo é uma experiência maravilhosa, mas notadamente marcada pelas injustiças, perseguições e muitas outras coisas. O seguidor de Cristo tem que estar preparado para lidar com esses desconfortos e adversidades do ministério cristão. O próprio ministério de Cristo é nosso paradigma.  Marcos descreve isso muito bem. Vejamos:
A primeira cena forte do evangelho de Marcos se desenrola após a cura de um paralítico que além de curado tem seus pecados perdoados. E por ter perdoado o pecado do paralítico Jesus foi acusado de cometer blasfêmia pelos escribas. (2.7).
(3.6) lemos a respeito de uma conspiração entre fariseus e herodianos para matar Jesus.
                                                                                                                                                       
(3.21) Jesus é acusado de insanidade por seus parentes.

(3.22) Os escribas terminam sua tese sobre Jesus a conclusão da mesma é que Jesus está possesso de belzebu.

(5.17) Jesus recebe a condenação do povo “retira-te daqui”.

(6.3) Jesus recebe a condenação da sua terra natal.
     
      (7.5) Novamente os religiosos da época lançam ataques contra Jesus.
Como podemos ver a ênfase de Marcos na pessoa de Jesus é a de um servo sofredor.

    Desta forma Marcos prepara os seus destinatários para enfrentar os sofrimentos e as perseguições com o mesmo destemor com o qual Jesus os enfrentou.
A idéia de Marcos é oferecer a igreja um modelo inspirador e encorajador, quando em perseguição e sofrimento. Esse modelo é Cristo.
 O texto em questão precisa ser visto dentro da moldura do que acabamos de dizer.
 É com a imagem das adversidades e sofrimentos enfrentados por Jesus que temos que ler o texto em questão desta noite: Marcos 8.35. E ao mesmo tempo notarmos que o que Jesus oferece aos seguidores não é nada mais do que aquilo que ele mesmo vivenciou, experimentou. Examinemos agora as três sentenças principais do texto.

(1)Negar-se a si mesmo. Gr. Aparneomai imperativo do aoristo médio (dizer não a si mesmo). Quando somos chamados à experiência da vida cristã somos convocados a iniciarmos uma guerra contra nosso eu(nossa natureza pecaminosa). O discípulo de um rabino deveria abrir mão de muita coisa para servir seu mestre.

(2)Tome a sua cruz. Na época de Jesus essa expressão figurada era compreendida facilmente por qualquer pessoa. A execução por crucificação era aplicada quando se queria tirar não só a vida do criminoso, mas também sua honra e expô-lo ao desprezo absoluto e a aniquilação moral. Tomar a cruz é estar aberto ao sofrimento pelo testemunho do evangelho. Há uma descrição paulina que resume bem isso: “levando sempre no corpo o morrer de JesusSempre entregues à morte-( 2Co 4.10,11).  A teologia da cruz se aplica ao discípulo tanto quanto ao mestre.

(3)Siga-me. A disposição para seguir a cristo é construída sob as bases da hostilidade e oposição social. A história prova isso. Quanto mais hostilidade, quanto mais oposição, mais a igreja de Cristo cresce. A dor,a dificuldade é um elemento inspirador, é um tipo de entorpecente(no bom sentido) para o crente. Isso é simplesmente incrível.
A bíblia diz que os crentes exultam em meio as mais ardentes provações. (1Pedro 1.6). Exultar é ser tomado de uma alegria intensa. E aqui não há nada de ilógico, pois a bíblia aponta uma razão para essa alegria:
  “UMA VEZ CONFIRMADO O VALOR DA VOSSA FÉ” (1PEDRO 1.7). O sofrimento cristão purifica a fé, isto é, aprofunda e amadurece nossa relação com Nosso Salvador.

Concluo dizendo:
    
JESUS NUNCA OFERECEU AOS SEUS DISCÍPULOS UM CAMINHO FÁCIL, BUSCOU SEMPRE DESAFIÁ-LOS!

O desafio envolve Cruz, lágrimas e sangue.
 Marcos acrescenta mais um detalhe a isso: O servo sofredor é o servo vitorioso:

ELE É VITORIOSO SOBRE SATANÁS 1.13.
ELE É VITORIOSO SOBRE OS DEMÔNIOS 1.27
ELE É VITORIOSO SOBRE AS ENFERMIDADES 1.29-34.
ELE É VITORIOSO SOBRE A MORTE 16.9.

MESMO EM MEIO A TODA HOSTILIDADE SOFRIDA JESUS FOI VITORIOSO E O MESMO APLICA-SE A IGREJA.
 (¹ Resumo da pregação proferida no culto do UPH na Igreja Presbiteriano do Brasil em Magé)
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O fruto do Espírito e a verdadeira religião (Gálatas 5.22)


Introdução.

O texto Gálatas¹ nasce da pena de Paulo como uma reprimida dirigida aos falsos irmãos (judaizantes) que queriam impor aos crentes gentios a circuncisão como o sinal da aliança feita com Abraão e seus descentes. Para Paulo essa imposição não tem base alguma e colide com a própria história de Abraão, pois este fora justificado diante de Deus pela fé e não pelas obras da lei, portanto, o sinal da aliança não é a circuncisão, mas a fé (3.6-14). Ao longo do texto epistolar o apóstolo vai desenvolver seu argumento, mas manterá sempre em antagonismo os termos fé e obras da lei. Esse contraste serve para distinguir a religião verdadeira da falsa. A religião verdadeira está ancorada na graça de Deus, já a falsa acredita que os méritos humanos têm um papel importante na obra da salvação. Essa digressão significava passar da graça para outro “evangelho” (1.6-9).
Os gálatas persuadidos pelos falsos mestres voltaram aos rudimentos fracos e pobres do judaísmo, que envolvia a circuncisão e a guarda de dias (4.9; 5.2), era o retorno ao jugo da escravidão (5.1). Com essa atitude estavam afirmando a insuficiência obra de Cristo na cruz (3.2-5).
O pano de fundo da carta revela que os gálatas estavam supervalorizando o carnal em detrimento do espiritual (carnal e espiritual apontavam respectivamente para as obras da lei e a obra do Espírito, esses termos estão em conflitos nesta epístola). O apóstolo deixa claro que o homem na carne, não pode agradar a Deus. Somente quando submisso e guiado pelo Espírito Santo ele poderá receber a aprovação de Deus.
 Somente quando conduzido pelo Espírito é que o homem pode praticar a verdadeira religião. Meu objetivo nesta noite é falar do Espírito Santo como aquele que nos capacita para a prática da verdadeira religião.

Antes, um esclarecimento!
O novo nascimento, a conversão, não arranca do convertido a sua natureza pecaminosa. Ele continuará tendo que resisti-la. Mesmo sendo alvo da graça de Deus, o convertido em algum momento poderá praticar algo que não seja compatível com a sua nova vida em Cristo (1Co. 3.3; 16). Sua conversão o alista para uma guerra, a qual durará por toda a sua vida. Essa guerra é chamada de mortificação. Nela temos um objetivo bem definido, qual seja: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena” (Col.3.5).

O termo carne em Gálatas
Em vários textos do Novo Testamento e principalmente nas cartas paulinas o termo “Carne” é sinônimo de “natureza pecaminosa”. (Rm 7.5; 8.8,9). Essa natureza pecaminosa (a parte não convertida do crente) não tem nenhum  participação no processo da salvação (João 1.13). Mesmo os homens mais espirituais padecem sob ela. (Rm 7.18,24).
Na epístola aos Gálatas o termo carne descrever na maioria das vezes uma atitude de oposição à obra do Espírito (leia os capítulos 3.3; 4.29; 5.13, 16, 24; 6.8). Na epístola essa oposição significa simplesmente que os crentes gálatas estavam substituindo a graça de Deus pelas obras mortas da lei (2.21; 3.2.3). Aliás, o termo obras da lei é um sinônimo para o termo carne aqui em Gálatas. Bem, como já sabemos o que é viver na carne, basta agora perguntarmos o que significa viver no Espírito? Para tanto recorreremos ao contexto epistolar, o qual poderá fornecer essa resposta, se não vejamos:

a) É viver na completa dependência de da graça de Deus. E isso tem tudo haver com o contexto de gálatas (Eles buscavam a justificação pelas obras), leia o capítulo 3.2-3.

b) É viver única e exclusivamente pela fé. O homem só pode ser justificado pela fé. Qual quer pensamento contrário a isso é carnal, leia o capítulo 3.9-10. 

C) É viver debaixo das influências do Espírito. É andar no Espírito. Isto é, acatando sua direção que nos é dada através da Palavra de Deus. É entender que nenhuma atitude humana por mais religiosa que pareça ser, é capaz de substituir o papel do Espírito na obra de santificação do crente, leia o capítulo 5.16.

Com essas definições em mente podemos agora passar para os pontos principais deste sermão.


I) O fruto do Espírito resultando em uma vida cristã sob a direção de Deus.

“Ser cheio do Espírito Santo significa ter uma vida controlada pelo Espírito”
(Sproul)

Antes de continuarmos, cabe aqui uma consideração

Notai que fruto aparece no singular e com artigo definido. A razão para isso segundo alguns comentaristas é que Paulo está falando do amor e de suas manifestações. Adolf Pohl (comentário da carta aos gálatas) acrescenta, o amor faz a abertura porque Deus é amor. No entanto, o amor permanece presente até o fim da lista, de sorte que o resultado é o desdobramento do amor em nove aspectos. P. Burckhardt descreve assim os desdobramentos do amor:
Alegria é o amor que jubila.
Paz é o amor que restaura.
Longanimidade é o amor que sustém.
Benignidade é o amor que se compadece.
Bondade é o amor que doa.
Fidelidade é o amor que confia.
Mansidão é o amor que se humilha.
Domínio próprio é o amor que renuncia.

O fruto do Espírito enfatiza a nova natureza do homem em Cristo. Essa nova natureza é plantada na alma do crente mediante atuação do Espírito Santo. Isso significa que o  crente tem uma imbricação (forças que se sobrepõem) em sua natureza. De um lado, está à voraz e inquietante inclinação pecaminosa, que recusa admitir a sua derrota. Do outro lado, está a nova natureza forjada pelo Espírito, que busca sempre agradar a Deus. A guerra está travada! O dilema está posto! Mas nem tudo está perdido. Eis que Paulo nos apresenta um caminho pelo qual poderemos começar a ganhar a batalha: Andai no Espírito. Notai que eu disse: batalha. Pois a vitória nesta guerra só será possível na parousia de Cristo. Quando Ele então transformará nosso corpo corruptível em um corpo incorruptível. Até a volta de Cristo experimentaremos sucessivas batalhas, mas em todas elas, se mantivermos a atitude de andar no Espírito, venceremos.

O fruto na vida do crente é o resultado da ação do Espírito nele. Pois o homem natural não pode produzi-lo. A única maneira de medirmos o desenvolvimento espiritual de um crente é pela manifestação do fruto do Espírito em sua vida.

É importante destacarmos que Espírito e carne são termos contrastantes na epístola como já falamos. Espírito refere-se à obra de Deus em nós, e carne é tudo o que se opõe a essa obra.

Paulo trabalha o tema fruto do Espírito bem no final da carta, é como se ele tivesse propositadamente comparando dois tipos de religião. A religião da carne, que se baseia nos esforços humanos e louva os méritos dos homens. Esse era o tipo de religião que os gálatas foram persuadidos a voltar a praticar. E a religião do Espírito, aquela que é baseada na graça de Deus e que reconhece que tudo (e esse tudo é não apenas um tudo soteriológico) vem de Deus.


III) O fruto do Espírito como sinal da atuação do Espírito no íntimo da alma do crente regenerado.

O fruto do Espírito é o resultado da ação do Espírito sobre a alma do crente. Se o fruto é encontrado na vida do crente é sinal da atuação de Deus em sua vida. Essa atuação é sempre “inside out” “de dentro para fora”. O fruto é sinal de uma vida espiritual saudável e em perfeito processo de santificação.


IV- O fruto do Espírito na prática da vida cristã

William Hendriksen divide essas nove virtudes em três grupos, cada grupo contendo três virtudes. Cada grupo de virtude se relaciona com um aspecto da vida do crente. Vejamos:

O Primeiro grupo
 estaria referindo-se às qualidades espirituais mais básicas: Amor, alegria, paz.

O segundo grupo indicaria aquelas virtudes que se manifestam nas relações sociais: longanimidade, benignidade e bondade.

No último grupo temos a fidelidade referindo-se a relação dos crentes com Deus. A mansidão pressupõe a relação dos crentes com outros homens. O domínio próprio refere-se à relação que o crente tem consigo mesmo.  

Conclusão

 O ensino acerca do fruto do Espírito nos convence que não nos salvamos por nossos méritos, por nossos  próprios esforços, ou como Paulo gosta de colocar com outras palavras, pelas obras da lei. Guardar regras, normas não tem valor alguma na tarefa de coibir ou mesmo controlar nossos apetites carnais, menos ainda, quando falamos em salvação. A salvação é graça, não há lugar aqui para uma meritocracia humana. Essa graça soteriológica se manifesta na vida do convertido não apenas como mudança na sua condição judicial, ele estava condenado, agora está absolvido, justificado, não, não é só isso. Essa graça salvadora também se revela na vida do regenerado como fruto do Espírito, o qual produz crescimento para que se possa atingir a medida da varonilidade perfeita.
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Trecho da palestra sobre casamento


"Em Efésios encontramos o verdadeiro ensino de Paulo sobre o casamento: o casamento cristão é a relação mais preciosa da vida; seu único paralelo é a relação entre Cristo e a Igreja".


No texto escolhido para esta palestra, encontramos as palavras de Paulo que tratam da totalidade da “nova vida” do homem em Cristo. Essa totalidade envolve o homem no seu compromisso de: “Marido” de “Filho” de “Patrão” e de “Servo” (empregado). O homem atenderá melhor a esses compromissos à medida que sua vida for cheia do Espírito Santo. É tendo em mente a vida do crente cheia do Espírito, que Paulo trata de questões difíceis do nosso cotidiano, as obrigações de marido, de filho, de patrão e de empregado. O casamento que é a nossa questão em debate, só será algo realizado em uma dimensão de contentamento e satisfação à medida que os cônjuges se submeterem ao Espírito Santo. A vida cheia do Espírito é a condição fundamental para um casamento feliz e sustentável.

(Trecho de minha palestra proferida sobre casamento na Igreja Presbiteriana do Brasil em Andorinhas-Magé)
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O futuro glorioso dos crentes

Texto: Romanos 8.18-25


O texto em que ¹ancoramos nosso tema, nos fala sobre uma glória a ser revelada em nós. A leitura cuidadosa do contexto nos informa que essa glória se manifestará concomitante à vinda de Cristo, a “glória” está ligada diretamente a parousia do Messias ressurreto. Isso nos faz pensar que a vida do crente passa necessariamente por uma orientação escatológica, o crente vive o “presente” imerso nas implicações da sua fé, mas, aguarda e espera por algo muito maior e melhor. O crente sabe que embora no tempo presente ele usufrua bênçãos maiores e mais intensas do que aquelas que experimentaram nossos irmãos do Antigo Testamento. Há muito mais ainda por receber.
 Nessa esperança, ele caminha, ele vive. Embora, importa que no presente sejamos contristados e afligidos, o amanhã de Deus para os crentes vai tornar todas as dores como coisa insignificante frente à glória do que Deus tem reservado para nós. Paulo contrasta o sofrimento “presente” como a “glória” futura. A esperança nesse futuro glorioso deve funcionar na vida do crente como uma inspiração para o enfrentamento das adversidades do tempo presente.
Esse futuro glorioso passa por dois pontos importantes da teologia cristã. A volta de Cristo, e a glorificação do crente. A glória a ser revelada em nós, envolve esses dois pontos. Concomitante a vinda gloriosa de Cristo ocorrerá a transformação, ou melhor, a glorificação do corpo do crente(a redenção do corpo verso 23). O crente receberá um corpo que se assemelha ao corpo glorioso do Jesus ressuscitado. Paralelo a esse evento ocorrerá também, a redenção da natureza, pois a natureza será redimida do cativeiro da corrupção. Como o crente aguarda a manifestação do Cristo glorioso, a natureza aguarda a manifestação dos “filhos de Deus”. A natureza aguarda a manifestação dos “filhos de Deus”, por uma razão muito simples, a glorificação dos crentes por ocasião da vinda de Cristo significará ao mesmo tempo a redenção da natureza. Isto é, quando os filhos se manifestarem em glória com Cristo, imediatamente a isso a natureza será beneficiada com a redenção do cativeiro da corrupção. O pensamento de Paulo deixa claro que a natureza também padece sob os efeitos do pecado e precisa ser redimida também. Vejamos:

Em Romanos 8.20: “É dito que a criação está sujeita à vaidade.” Vaidade é o termo grego “Mataiotes” que no contexto aqui significa que a natureza não atinge os resultados designados em decorrência do pecado.

Ainda em Romanos 8.21: Lemos sobre a natureza no cativeiro da corrupção. O termo grego para “Corrupção” aqui é “Phthora” que significa ser levado a uma situação pior.

Em Romanos 8.22: Paulo diz que a natureza geme e suporta angústias.
O termo grego para “suporta angústias” é “Synodinei”, que é uma referência as dores de parto. Como vimos a própria natureza em decorrência do pecado perdeu seu sentido original, sua capacidade de atingir seus objetivos, e ela própria definha sob o jugo do pecado. O homem doente adoece a terra. É o que a bíblia diz, mas o oposto também é verdade, quando o homem for completamente curado do seu pecado, a natureza será completamente restaurada à semelhança do Éden de Deus.
O futuro glorioso do crente como já falamos envolve a redenção do seu corpo. Paulo em Romanos 8.30 descreve nessas palavras o desenvolvimento da salvação do crente: E aos que predestinou, a esses chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. A glorificação do crente, que envolve a transformação do corpo do crente em um corpo à semelhança do corpo de Cristo. Pertence, poderíamos dizer ao último estágio da obra redentiva de Cristo em nós(1Co.15.50-58). Pois não existe redenção completa sem que envolva o corpo. Com um corpo semelhante ao de Cristo, tudo em nós será perfeito. Teremos:
(a)    Uma visão perfeita.
(b)   Uma audição perfeita.
(c)    Uma fala perfeita.
(d)   Um agir perfeita.
Enfim, teremos um viver perfeito.
Façamos irmãos da esperança nesse futuro glorioso à ferramenta através da qual possamos transformar o presente e descansar sobre o futuro. Não importa qual seja a opinião do homem sobre amanhã, o amanhã de Deus para os crentes será um amanhã glorioso. Amém.

 ¹- Resumo do sermão pregado no domingo 1 de julho de 2012 no templo da Igreja Presbiteriana do Brasil em Andorinhas/Magé-Rio de Janeiro








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A pregação eficiente

O que é necessário para se produzir uma pregação eficiente? A Universidade de Baylor, em Waco, no Texas, recentemente desenvolveu uma pesquisa entre professores de homilética para determinar o critério de uma pregação eficiente.
Um total de 140 respostas foram recebidas, vindas de Seminários e Escolas de Teologia nos Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. As observações contidas nas respostas produziram mais de 700 critérios, os quais foram categorizados dentro de sete áreas e posteriormente incluídos em um artigo intitulado "Dimensões de uma Pregação Eficiente".
A seguir apresentamos o sumário dos critérios que, conforme o artigo é necessário para uma pregação eficiente.
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EM TUDO, DAI GRAÇAS

A vida do cristão deve refletir sempre e em qualquer circunstância, o quanto ele é agradecido por todas as bênçãos de Deus em sua vida. Expressar-se em agradecimento a Deus é uma atitude tipicamente cristã, ao menos deveria ser. A bíblia afirma que o homem não regenerado, embora possua o conhecimento de Deus, não Lhe rende graças(Rm 1.21). Mas não deve ser assim com o crente! Ele tem muitos e inumeráveis motivos para expressar gratidão a Deus. Em nosso texto-tema, lemos uma recomendação paulina feita aos Tessalonicenses,em que consistia,que eles dessem graças a Deus em tudo.Os motivos pelos os quais os Tessalonicenses devessem  expressar gratidão a Deus, foram colocados já na introdução da epístola. Vejamos:
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A ORAÇÃO DE PAULO PELOS COLOSSENSES

TEXTO: COLOSSENSES 1.9-12

A oração de Paulo aos colossenses deveria servir de modelo a todos os líderes cristãos. Paulo está orando, pedindo a Deus conhecimento espiritual para os crentes colossenses. Paulo ora incessantemente! Ele não desanima, está convencido que a vida cristã só será bem sucedida à medida que for imersa no conhecimento da vontade de Deus. O crente não pode agradar a Deus sem o conhecimento de sua vontade, assim pensava Paulo. A experiência produzida por esse conhecimento é transformadora e capacitadora.
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A HERESIA DE COLOSSOS

(William Barclay)

Ninguém pode dizer com segurança em que consistia a heresia que ameaçava a vida da Igreja colossense. "A heresia colossense" é um dos grandes problemas na investigação do Novo Testamento. Tudo o que podemos fazer é ir à própria Carta para buscar ali os elementos de juízo. Faremos uma lista das características para detectar aqui alguma tendência herética geral que corresponda ao quadro.

(1) Certamente havia uma heresia que atacava a suficiência plena e supremacia única de Cristo. Nenhuma carta paulina tem uma visão mais sublime de Cristo nem maior insistência em sua perfeição e sua finalidade. Jesus Cristo é a imagem do Deus invisível; nele habita toda a plenitude (1:15,19). Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (2:2). Nele habita a plenitude da divindade em forma corporal (2:9). Jamais se fizeram nem podem fazer-se maiores afirmações sobre Cristo.

(2) Devemos advertir deste modo que Paulo incorre numa digressão para sublinhar a parte que Jesus Cristo desempenhou na criação, a obra criadora do Filho. Por Ele foram criadas todas as coisas (1:16); nEle tudo subsiste (1:17). O Filho foi o instrumento do Pai na criação do universo.

(3) Mas também Paulo abandona as linhas de seu pensamento para sublinhar a humanidade real de Jesus Cristo: sua humanidade de carne e sangue. Em seu próprio corpo carnal levou a efeito a obra redentora (1:22). A plenitude da divindade habita nEle (somatikos) em forma corporal (2:9). Com toda sua divindade, Jesus Cristo é real e verdadeiramente carne e sangue humanas.

(4) Dá a impressão de que nesta heresia havia algum elemento astrológico. Em 2:8 diz-se que os colossenses iam após os rudimentos deste mundo; em 2:20, que devem morrer aos rudimentos deste mundo. A palavra para rudimentos é stoiqueia, termo que tem dois significados.

(a) Seu sentido básico é de fileira. Pode aplicar-se, por exemplo, a uma fila de soldados. Mas um de seus significados mais comuns é o de A B C: letras do alfabeto colocadas como se estivessem em fila. A partir daqui o significado passa aos elementos de qualquer matéria: os rudimentos, os primeiros elementos, o próprio A B C. Se for assim, Paulo pensa que os colossenses estão dando marcha à ré num tipo de cristianismo elementar enquanto que, pelo contrário, deveriam avançar rumo à maturidade.

(b) Mas pensamos que o segundo significado é mais provável. Stoiqueia pode significar os espíritos elementares do mundo, especialmente os espíritos dos astros e planetas. O mundo antigo estava dominado pelo pensamento da influência dos astros. Nem os homens mais velhos e sábios agiam sem consultar os astros. O mundo antigo
pensava que as coisas e os homens estavam submetidos a um poder fatal, férreo pela influência dos astros; a astrologia pretendia brindar aos homens as palavras-chaves ou o conhecimento secreto que os livraria de sua escravidão aos espíritos elementares do mundo. É mais provável que os falsos professores colossenses tivessem ensinado a necessidade de algo mais que Jesus Cristo para livrar os homens da sujeição aos espíritos elementares do mundo e aos astros.

(5) Esta heresia dava muita importância ao poder dos espíritos demoníacos. Há freqüentes referências aos principados e potestades, nomes que Paulo aplica a esses espíritos (1:16; 2:10; 2:15). O mundo antigo cria implicitamente nestes poderes demoníacos. O ar estava infestado deles. Cada força natural — o vento, o trovão, o raio, a chuva — tinha seus diretores demoníacos. Cada lugar, cada árvore, cada rio, cada lago, tinham seu espírito. A atmosfera estava infestada dos que em certo sentido eram considerados intermediários de Deus mas que constituíam um impedimento porque a imensa maioria eram hostis ao homem. O mundo antigo vivia num universo obcecado pela idéia dos demônios. Evidentemente os falsos mestres colossenses diziam que se requeria algo mais que Cristo para derrotar o poder demoníaco; que Jesus Cristo não era suficiente para tratar com eles por si mesmo, mas sim requeria a ajuda de algum outro conhecimento e poder.

(6) Nesta heresia existia com certeza o que poderíamos chamar um elemento filosófico. Os hereges arruinavam os homens com filosofia e vãs sutilezas (2:8). Certamente afirmavam que a simplicidade do evangelho necessitava o agregado de um conhecimento muito mais elaborado e recôndito.

(7) Nesta heresia existia uma tendência a insistir na observância de dias e rituais especiais: festividades, luas novas e dias de repouso (2:16). O ritualismo e a observância particular de tempos e estações era um traço distintivo da falsa doutrina.

(8) Esta heresia continha certamente um elemento supostamente ascético. Estabelecia leis sobre comidas e bebidas (2:16). Seus lemas eram: “Não toques, não proves, não manuseies” (2:21). Limitava a liberdade cristã por meio de toda sorte de insistências em ordenanças, leis e prescrições legalistas.

(9) A heresia possuía igualmente, ao menos às vezes, um rasgo antinômico: fazia com que os homens descuidassem a pureza e castidade próprias do cristão para pensar com ligeireza sobre o físico e os pecados corporais (3:5-8).

(10) Aparentemente a heresia dava pelo menos certo lugar ao culto dos anjos (2:18). Ao lado dos demônios introduzia intermediários angélicos entre o homem e Deus.

(11) E, finalmente, parece que a heresia continha algo que poderia chamar-se esnobismo espiritual e intelectual: em 1:28 Paulo expressa sua aspiração de admoestar a todo homem, de ensinar a todo homem em toda sabedoria, de apresentar a todo homem perfeito em Jesus Cristo. Vemos com que ênfase a frase todo homem se repete reiteradamente, expressando a aspiração de tornar o homem perfeito em toda sabedoria. 
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PRINCÍPIOS HERMENÊUTICOS DE CALVINO

Por Weldon E. Viertel

Fulherton Observa que Calvino pode ser chamado o primeiro intérprete científico da história da igreja cristã. Calvino cria que as Escritura cumpre três funções:
(1) Torna claro nosso critério de Deus; (2) revela elementos na relação com Deus que não pode ser conhecido por meio da natureza; e (3) fala de Deus como redentor.

A Escritura é autoridade absoluta para nosso conhecimento de Deus. Ele cria que a inspiração é uma doutrina explicativa de uma experiência que já temos. É incerto se ele sustentava um critério de inspiração mecânica ou não. Rechaçou o método alegórico e enfatizou a interpretação literal das Escrituras.

Calvino insistiu que era necessária a iluminação do Espírito para a interpretação da Palavra de Deus.  A verdadeira exegese é confirmada pelo testemunho interno do Espírito. Ele acreditava que a voz do Espírito vivo de Deus fala ao intérprete nas Escrituras.      

Calvino insistiu que o primeiro interesse do intérprete é deixar que o autor dissesse o que tem que dizer em lugar de atribuir-lhe o que pensamos que deveria dizer. A tarefa do intérprete é mostrar a mente do escritor. Considerava um sacrilégio o uso das Escrituras para o prazer pessoal. Ele se recusou a ler seus conceitos teológicos em sua interpretação das Escrituras.

Calvino recomendava que o exegeta atuasse com cautela no que se refere à interpretação da profecia messiânica. Encorajou os intérpretes a investigar a localização histórica de todas as Escrituras proféticas e messiânicas. Quis evitar o descobrimento de Cristo no Antigo Testamento através da interpretação alegórica em passagens onde Cristo não podia ser encontrado; entretanto, cria que Deus não se manifestou se não por meio de seu Filho, mesmo no Antigo Testamento.

Os princípios de interpretação de Calvino incluíam o significado literal (Método histórico-gramatical); o princípio Cristocêntrico, por meio do qual tanto o Antigo Testamento como o Novo Testamento apontava para Cristo; o rechaço do método alegórico; e o testemunho interior do Espírito. Produziu um comentário sobre toda a bíblia que ainda hoje é extremamente valioso.
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CARACTERÍSTICAS DA HERMENÊUTICA DE PAULO

Por Weldon E. Viertel


Paulo foi um teólogo que utilizou seu conhecimento rabínico para encontrar o apoio do Antigo Testamento para seu entendimento de Cristo. Depois de sua conversão sua ênfase foi o engano cego do homem e sua esperança redentora na morte e ressurreição de Cristo. Paulo estabeleceu em suas epístolas, especialmente em Romanos, uma expressão sistemática da doutrina de Cristo.
Ele utilizou a tipologia para aplicar as Escrituras do Antigo Testamento a Cristo (1Ts 1.7; 2Ts 3.9). Usualmente “Tipo” significa “exemplo”. As experiências dos Israelitas no deserto foram um exemplo para os cristãos (1 Co 10.6,7). Adão foi chamado “figura do que havia de vir” (Rm 5.14). Em Gálatas 3.16b aparecem traços do literalismo rabínico: “Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo”.
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REFORMA PROTESTANTE

Lewis W. Spitz

A reforma protestante do século XVI foi um movimento dentro da cristandade ocidental para purgar a igreja de abusos medievais e restabelecer as doutrinas e práticas que segundo criam os reformadores, concordavam com a bíblia e com o modelo de igreja do Novo Testamento. Isto conduziu a um rompimento entre a igreja católica Romana e os reformadores, cujas crenças e práticas passaram a ser chamadas de protestantes.

CAUSAS

Os fatores causadores da reforma foram complexos e interdependentes entre si. Como movimentos precursores da reforma podem incluir os lolardos, fundado por John Wycliffe e os husitas com João Huss durante os séculos XIV e XV. Entretanto estes grupos de reformadores estavam localizados na Inglaterra e Bohemia e foram em grande parte suprimidos. Dois fatores tiveram papéis importantes no evento da reforma protestante, os quais foram às mudanças no clima intelectual e político.

CLIMA INTELECTUAL

O renascimento cultural melhorou o nível da educação e enfatizou os antigos clássicos, contribuiu para o pensamento e a erudição e ofereceu o humanismo e a retórica como alternativas ao escolasticismo. Especialmente através de suas ênfases nos idiomas bíblicos e cuidadosa atenção aos textos literários, o renascimento possibilitou a exegese bíblica que conduziu a reinterpretação doutrinal de Martinho Lutero.
Os humanistas como Erasmo criticaram os abusos eclesiásticos e promoveram o estudo da bíblia e o dos pais da igreja. A invenção da imprensa por Gutenberg proporcionou um instrumento de grande alcance para a expansão da erudição e ideias da reforma.

CLIMA POLÍTICO

Que sérias corrupções se estendia pela igreja era já evidente, razão pela qual o papa Inocêncio III convoca o concílio de Latrão através da Bula Vineam Domini Sabaoth de 10 de abril de 1213 a fim de reforma-la. O papado mesmo se enfraqueceu por seu translado de Roma a Avignon (1309-77), e pelo grande cisma que durou quatro décadas posteriores a ele, e em razão da doutrina de que a autoridade suprema da igreja residia nos concílios gerais (conciliarismo). Os papas do renascimento eram notoriamente mundanos; aumentaram os abusos tais como simonia, nepotismo e excessos financeiros, o comércio e a imoralidade minaram a igreja. A venda de indulgência era uma prática particularmente desafortunada porque afetava o arrependimento e a correção da vida. Ao mesmo tempo se manifestou um genuíno ressurgimento da religiosidade popular, incrementando a disparidade entre as expectativas do povo e a capacidade da igreja satisfazer suas necessidades espirituais. Alguns se voltaram ao misticismo. Porém a grande massa estava agitada e descontente.

Na idade média ocorreu uma mudança política significativa. O santo império romano perdeu coesão como resultado de lutas contra o papado e se viu debilitado pelo surgimento de principados territoriais virtualmente independentes e cidades imperiais livres. Externamente o império foi se debilitando pela evolução gradual das nações-Estados da Europa ocidental moderna; as monarquias na França, Inglaterra e mais adiante, Espanha, estavam desenvolvendo forças e unidade dinásticas que em grande medida lhes permitiram controlar a igreja ao interior de suas fronteiras.
Economicamente, o auge do comércio e a mudança a uma economia monetarizada criaram uma classe média mais forte em uma sociedade mais urbana. Durante esse período a igreja encontrou dificuldades financeiras, possuía riqueza em terras e tinha problemas para desempenhar suas extensas obrigações administrativas, diplomáticas e judiciais.

LUTERO

A reforma começou na Alemanha em 31 de outubro de 1517, quando Martinho Lutero, um professor agostiniano da universidade de Wittenberg fixo 95 teses a fim de iniciar uma discussão sobre a legitimidade da venda de indulgências. O papado considerou isso um ato de rebeldia e começou a tomar medidas contra Lutero como herege. Durante os primeiros anos os humanistas alemães apoiaram a causa de Lutero; os famosos três tratados de 1520 do reformador, Carta aberta a nobreza cristã da nação alemã sobre a reforma do estado cristão; cativeiro babilônico da igreja e acerca da liberdade do cristão, também lhe deram apoio popular de grande alcance.

Lutero foi excomungado em 1521 na dieta de Worms em abril deste ano, quando compareceu diante do santo imperador romano Carlos V e príncipes alemães, recuso retratar-se a menos que se provasse mediante a bíblia ou razão que estava equivocado. Ele sustentava que a salvação era um dom gratuito dado as pessoas através do perdão dos pecados somente pela graça de Deus, recebida por aquelas por meio da fé em Cristo. Lutero foi protegido por Frederico III da Saxônia e outros príncipes alemães apoiaram os reformadores em parte por convicção intelectual e religiosa; em parte pelo desejo de apoderar-se da propriedade eclesiástica e em parte para afirmar sua independência do controle imperial. Em 1530 muitos príncipes e cidades firmaram a confissão de Augsburgo apresentada a dieta de Augsburgo como expressão da fé evangélica. Ficou estabelecido que cada príncipe alemão determinaria a filiação religiosa de seu território.
O luteranismo se converteu também em religião oficial na Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia. Fora do rol dos príncipes, a reforma se estendeu rapidamente como movimento popular penetrando na Polônia, Bohemia, Morávia e Hungria.

ZWINGLIO

Na suíça a reforma se desenvolveu inicialmente em Zurique debaixo da direção do sacerdote Ulrich Zwinglio que havia sido influenciado por Erasmo e pelo humanismo cristão. Ele chegou a uma concepção evangélica do cristianismo por seu estudo da bíblia e contatos com os luteranos. Em 1° de janeiro de 1519 começa uma série de seis anos de sermões sobre o Novo Testamento que levou ao conselho da cidade e ao povo de Zurique para a reforma. A resposta favorável aos 67 artigos que ele preparou em 1523 para discussão pública com um representante papal provou o valor de seu programa. Sua influência se estendeu a outros cantos da Suíça, tais como Basiléia e Berna.

CALVINO

O movimento evangélico se expandiu para a França, ali ganhou muitos conversos, entre eles João Calvino. Em 1536 Calvino foi a Genebra, onde se desenvolvia uma reforma conduzida por Guillaume Farel. Calvino foi persuadido a permanecer em Genebra e ajudar a organizar a segunda maior onda do protestantismo. Em suas ordenanças de 1541, deu uma nova estrutura a igreja que consistia em pastores, doutores, anciãos e diáconos. As Institutas da religião cristã (1536) tiveram grande influência na França, Escócia e entre os puritanos na Inglaterra. Genebra se converteu no centro de uma grande empresa missionária que entrou na França, aonde os huguenotes chegaram a ser tão poderosos que em 1559 se reuniu em Paris um sínodo para organizar uma igreja nacional de umas 2.000 congregações reformadas. Como resultado das guerras religiosas francesas, o partido huguenote foi controlado e a monarquia francesa se manteve católica.

INGLATERRA

Embora na Inglaterra houvesse um movimento de reforma religiosa influenciado pelas ideias de Lutero, a reforma inglesa foi resultado direto dos esforços do rei Henrique VIII por divorciar-se de sua primeira mulher, Catarina de Aragão. A ruptura formal com o papado foi organizada por Thomas Cromwel, principal ministro do rei; debaixo de sua direção o parlamento aprovou a lei de restrições de apelações (a Roma-1533), seguida pela lei de supremacia (1534) que definia plenamente a liderança real sobre a igreja.
Como arcebispo, Thomas Cranmer anulou o matrimônio de Henrique e Catarina, permitindo que o rei casasse com Ana Bolena. Embora o próprio Henrique não quisesse fazer mudanças doutrinárias, Cromwel e Cranmer autorizaram a tradução da bíblia ao inglês, e Cranmer foi o grande responsável pelo livro de oração comum, adotado no governo de Eduardo VI sucessor de Henrique. Os avanços do protestantismo na gestão de Eduardo (1547-53) foram perdidas sob sua irmã católica Maria I(1553-58), porém a consolidação religiosa(1559) sob Isabel I assegurou o ambiente anglicano.

OS RADICAIS


Os radicais foram uma grande variedade de grupos sectários conhecidos como anabatistas, assim chamados devido a sua oposição comum ao batismo infantil. O primeiro líder anabatista Thomas Munzer desempenhou um papel principal na guerra do campesinato (1524-26), suprimida com a ajuda de Lutero.
Com Munster os anabatistas radicais estabeleceram (1533) uma teocracia de curta duração em que a propriedade era comunitária, o qual também foi drasticamente suprimido. Os radicais também englobavam evangélicos e espiritualistas que desenvolveram filosofias religiosas sumamente individualistas.

RESULTADOS

A divisão da cristandade ocidental em áreas protestantes e católicas foi um resultado óbvio da reforma, outro resultado foi a instauração de igrejas nacionais, que reforçaram o crescimento de estados nacionais modernos, assim como antes a crescente consciência nacional havia facilitado o desenvolvimento da reforma.
Finalmente, a reforma introduziu mudanças radicais no pensamento,  na organização e políticas eclesiásticas, e assim começaram muitas das tendências que caracterizam o mundo moderno.

Tradução livre- Adriano Carvalho.
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